
O jornalismo e os média tradicionais impressos estão – ou deveriam estar – em fase necessária de conversão de modelo de negócio, de adaptação a uma nova filosofia dos meios de comunicação que se encontram agora inseridos numa sociedade transformada, renovada, digital e participante, sob pena de uma descapitalização e insistência num veículo já não tão lucrativo como anteriormente.
O canal de comunicação que os jornais representavam, com um fluxo de informação unidireccional, do média para o leitor sem possibilidade de participação (salvo raras excepções expressas através das colunas de opinião do leitor), está profundamente desarticulado em relação aos novos paradigmas da comunicação digital e do modelo de participação activa do leitor na produção de informação e na acção sobre a própria informação e sociedade.
A par da mudança comportamental e do encaixe do cidadão numa realidade digital que lhe disponibiliza mais ferramentas, canais e possibilidades de interacção – enquanto produtores de informação dos mais variados pontos do globo, seja na praia ou na montanha, no café ou escritório – assistimos também a uma digitalização global da informação anteriormente impressa e comprada nas bancas, quiosques, cafés e tabacarias. Agora, o leitor está mais “tecnologizado”, mais convertido à facilidade de busca de informação indexada e tratada, catalogada e complementada com “rich media”: vídeos, infografias interactivas, galerias de informação etiquetada e relacionada (tagging), com vastas hiperligações a outras fontes de informação.
Agora, o leitor recebe a informação através de “feeds”, “posts”, “blogs”, “twitts”, comodamente nos canais de sua preferência, nos novos media que utiliza e dos quais não se separa nem dispensa. Se aprofundarmos ainda mais as características sociais, etárias e demográficas, é notório que a nova geração de leitores não compra jornais: navega num mundo de estímulos visuais, informação audiovisual, galerias multimédia e num vasto mundo de informação na palma na mão.
Torna-se compreensível, claro e imperioso que os media tradicionais apostem na sua rápida conversão ao novo mundo que de Gutenberg já nada tem: e todos os que estão ligados à área sabem das dificuldades de implementação de pequenas ferramentas multimédia na edição de um jornal (e sim, contemplo neste comentário alguns dos maiores jornais portugueses onde a mudança se faz à custa da teimosia quase beligerante de quem acredita, contra o autismo ignorante e passivo de quem gere).