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Jornalismo e o “papel digital” – um novo paradigma de negócio

O jornalismo e os média tradicionais impressos estão – ou deveriam estar – em fase necessária de conversão de modelo de negócio, de adaptação a uma nova filosofia dos meios de comunicação que se encontram agora inseridos numa sociedade transformada, renovada, digital e participante, sob pena de uma descapitalização e insistência num veículo já não tão lucrativo como anteriormente.
O canal de comunicação que os jornais representavam, com um fluxo de informação unidireccional, do média para o leitor sem possibilidade de participação (salvo raras excepções expressas através das colunas de opinião do leitor), está profundamente desarticulado em relação aos novos paradigmas da comunicação digital e do modelo de participação activa do leitor na produção de informação e na acção sobre a própria informação e sociedade.
A par da mudança comportamental e do encaixe do cidadão numa realidade digital que lhe disponibiliza mais ferramentas, canais e possibilidades de interacção – enquanto produtores de informação dos mais variados pontos do globo, seja na praia ou na montanha, no café ou escritório – assistimos também a uma digitalização global da informação anteriormente impressa e comprada nas bancas, quiosques, cafés e tabacarias. Agora, o leitor está mais “tecnologizado”, mais convertido à facilidade de busca de informação indexada e tratada, catalogada e complementada com “rich media”: vídeos, infografias interactivas, galerias de informação etiquetada e relacionada (tagging), com vastas hiperligações a outras fontes de informação.
Agora, o leitor recebe a informação através de “feeds”, “posts”, “blogs”, “twitts”, comodamente nos canais de sua preferência, nos novos media que utiliza e dos quais não se separa nem dispensa. Se aprofundarmos ainda mais as características sociais, etárias e demográficas, é notório que a nova geração de leitores não compra jornais: navega num mundo de estímulos visuais, informação audiovisual, galerias multimédia e num vasto mundo de informação na palma na mão.
Torna-se compreensível, claro e imperioso que os media tradicionais apostem na sua rápida conversão ao novo mundo que de Gutenberg já nada tem: e todos os que estão ligados à área sabem das dificuldades de implementação de pequenas ferramentas multimédia na edição de um jornal (e sim, contemplo neste comentário alguns dos maiores jornais portugueses onde a mudança se faz à custa da teimosia quase beligerante de quem acredita, contra o autismo ignorante e passivo de quem gere).
Add comment Março 18, 2009
Media tradicionais vs Citizen Journalism
Os media tradicionais têm em cada um dos seus leitores um potencial repórter. Vendem apenas conteúdos quando a cidadania digital se exerce cada vez mais agindo sobre a informação, produzindo-a e gerando conteúdos que circulam nos telemóveis, pen drives, laptops, comunidades e fóruns. O conceito centralizado de media acabou. Resta tomar consciência disso mesmo.
Os media tradicionais têm sofrido o brutal impacto da Internet e de pequenas revoluções tecnológicas possibilitadas pelo crescente número de aplicações on-line e grátis, que permitem e fomentam o associativismo, a facilidade de produção e publicação da informação. Os jornais – ou a grande maioria dos lusos órgãos -, ainda presos ao tradicional modelo de produção, edição e publicação de informação impressa, perdem progressivamente audiência e consequente ocupação do espaço publicitário, um dos factores fundamentais de subsistência de um modelo de negócio que necessita de uma urgente actualização estratégica, tecnológica e ideológica.
Add comment Abril 27, 2007