António de Castro

Media tradicionais vs Citizen Journalism

In Blogroll on Abril 27, 2007 at 8:43 am

digital.jpgOs media tradicionais têm em cada um dos seus leitores um potencial repórter. Vendem apenas conteúdos quando a cidadania digital se exerce cada vez mais agindo sobre a informação, produzindo-a e gerando conteúdos que circulam nos telemóveis, pen drives, laptops, comunidades e fóruns. O conceito centralizado de media acabou. Resta tomar consciência disso mesmo.

Os media tradicionais têm sofrido o brutal impacto da Internet e de pequenas revoluções tecnológicas possibilitadas pelo crescente número de aplicações on-line e grátis, que permitem e fomentam o associativismo, a facilidade de produção e publicação da informação. Os jornais – ou a grande maioria dos lusos órgãos -, ainda presos ao tradicional modelo de produção, edição e publicação de informação impressa, perdem progressivamente audiência e consequente ocupação do espaço publicitário, um dos factores fundamentais de subsistência de um modelo de negócio que necessita de uma urgente actualização estratégica, tecnológica e ideológica.

As novas tendências e tecnologias disseminadas na web estão a mudar a forma como recebemos a informação e a forma como a mesma é produzida. A crescente facilidade de acesso a plataformas de distribuição de conteúdos e massificação do alcance da informação é uma característica das novas redes sociais informativas, das novas correntes paralelas de opinião e informação. Os blogs, recente fenómeno massivo de publicação de informação, são mais do que diários pessoais electrónicos: enquadrados nesta óptica, são poderosas ferramentas de informação indexada, acessível, com motores de busca próprios, canais e formas de promoção específicas.

Com a simplicidade de utilização que lhes é característica, os blogs estão a assumir um papel vital na comunicação institucional, editorial e pessoal. Começam a ser frequentes os casos de editores de jornais ou revistas, jornalistas e fotógrafos, cronistas e líderes de opinião terem o seu canal de comunicação personalizado, onde produzem informação paralela aos media tradicionais. Assumem assim uma postura simultânea de colaboradores, editores, fotógrafos e redactores “all-in-one”, com ritmos de publicação e dead-lines muito próprios. A expansão deste fenómeno justifica, no mínimo, uma cuidada análise por parte dos media impressos, para que possam beber nesta dinâmica alguns dos princípios básicos deste mundo onde o papel não entra, nem tão pouco a lógica editorial normal e assumida pelos “velhos do restelo” da galáxia Guttenberg como única lógica conhecida, funcional e lucrativa. Até porque mesmo esses começam a ver a escassez do lucro, tentando combatê-la com cortes orçamentais que além de reduzir a efectiva produtividade antes real, desvia a atenção do desinvestimento.

O leitor moderno assume agora um papel interventivo e construtor da sua própria informação: filtra, comenta, critica, enriquece e participa no “agenda setting” que outrora era imutável e definido apenas pelo peso editorial e político de determinado assunto, num determinado momento e por vezes, relacionado com o próprio canal de comunicação. A massificação de dispositivos móveis de leitura e produção de informação (PDA’s, laptops micro, telemóveis com máquina fotográfica, máquinas digitais de alta resolução e diminuto formato), transforma cada leitor um potencial repórter e produtor de informação: passa de informado a informante, numa relação bidireccional altamente eficaz e simbiótica.

Ilustrando esta tendência ainda por cá pouco “apreciada” pelos sapientes editores mais confortáveis com papel, tinta e quiosques do que com “écrans”, “user empowerment”, “feeds”, “comunidades”, “fóruns” ou “citizen journalism”, podemos referir um exemplo de excelência, proveniente de quem é referência, como é o caso da Reuters, que dispensa apresentações. Conscientes do papel das novas comunidades e dos cidadãos como produtores digitais de conteúdos, ajudados pela presença ubíqua da massa – ao contrário de um singular repórter, o cidadão está em todo o lado – lançaram um portal que convida qualquer utilizador a partilhar o seu testemunho fotográfico ou noticioso sobre qualquer evento. Brilhante? Certamente. Ainda de difícil percepção para determinados meios nacionais? Claro. Porquê? Não faço ideia.

Colocar nas mãos de cada cidadão – potencial repórter – ferramentas de simples utilização, dando voz activa ao mesmo tempo que se absorve conteúdos multimédia para a empresa ou órgão noticioso em causa, é tanto brilhante quanto simples.

  1. Gostei da visão simples e brilhante simultaneamente

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: