António de Castro

Gestão de conteúdos e tendências web em 2007

In Blogroll on Outubro 29, 2009 at 10:44 am

P: Os sites e os portais já se assumiram como canais de comunicação alternativos das empresas/organizações nacionais. No entanto, estas ainda descuram muito a componente de conteúdos e a sua actualização. Na vossa opinião a que se deve esta realidade?

R: Se por um lado assistimos a uma crescente procura e difusão das páginas de Internet ao serviço das empresas enquanto canal de comunicação integrante da estratégia empresarial, sente-se ainda que não é uma prioridade ou uma preocupação sistemática manter o site actualizado, formatado ou agilizado em consonância com as estratégias comerciais. A colocação do canal web em segundo plano, é reflexo de uma mentalidade que ainda descura a importância de um canal vendedor por excelência, com informação esclarecedora e eficaz, com mecanismos de resposta rápidos e concisos, como o é uma página de Internet bem pensada, planeada e gerida de forma eficaz, com objectivos claros.

P: As empresas/organizações nacionais já se aperceberam dos custos de ter um site desactualizado, sem qualquer dinâmica?

R: Dependendo do tipo de organização, natureza do negócio ou mentalidade da gestão de topo incutida no seio organizacional da empresa, é passível de serem verificadas variações do nível de consciência do prejuízo. Uma empresa de comércio electrónico que vende milhares de produtos on-line e que depende estruturalmente desse canal para a consolidação das suas vendas e objectivos comerciais, terá forçosamente mais percepção da gravidade da desactualização de um produto, preço ou stock existente. Contrariamente, uma empresa que considere – erradamente – a sua página de Internet complementar aos serviços ou produtos que disponibiliza, terá menor percepção da sua importância e da gravidade da situação. Exemplificando como um pormenor mínimo pode significar bastante: uma empresa que tenha no seu site a notícia “mais recente” com data de publicação de há dois anos, poderá significar inércia, falta de dinamismo e acomodação. Passa uma imagem danosa, apesar da pequena dimensão do “erro”.

P: O que é preciso mudar na mentalidade das empresas/organizações nacionais para que
evoluam neste domínio?

R: A mentalidade empresarial é um organismo vivo, mutável, em construção e amadurecimento contínuo, mas de difícil e custosa progressão em muitas empresas. Ainda é considerável o número de organizações que por cultura empresarial ineficiente considera uma página de Internet secundária, ou pouco necessária para o seu negócio. Para mudar, é necessária a efectiva percepção do erro cometido, e isso é uma questão de formação que começa no topo das empresas e contagia positivamente todos os colaboradores.

P: O TCO das soluções que servem esta área pode ainda ser a justificação para não investir na gestão e dinamização de conteúdos Web?
R: Quando uma solução web é bem estruturada e serve o propósito de uma empresa e do seu modelo de negócio, o TCO (Total Cost of Ownership) nunca poderá ser considerado justificação para não investir. Há empresas cujo “core business” é a web, o seu modelo de negócios é “web-based” e a consequente capacidade de actualização, gestão e dinamização de conteúdos é um factor de sucesso chave. Mesmo para as empresas cujo “core business” não é a web, a gestão e dinamização de conteúdos ao serviço da própria empresa significa um controle sobre a própria página, uma consequente redução de custos com intervenções especializadas de empresas ou profissionais de web design e programação e uma facilidade de agilização muito grande.

P: O retorno do investimento nesta área é muito demorado?
R: Depende bastante do modelo de negócio e do montante necessário à concretização dos objectivos. Um site que
apresente um produto único baseado num modelo de negócio altamente inovador, seja pelo produto ou pela
forma como o mesmo é promovido, pode significar um investimento mínimo com alto grau de rentabilidade
imediato ou a curto prazo, com baixíssimos custos directos associados ao site e às ferramentas de gestão de
conteúdos do mesmo. Uma vez mais, as ferramentas e os canais web servem os modelos de negócio, podendo
por vezes serem os próprios modelos o produto, como o caso do You Tube. Uma ferramenta de gestão e partilha global on-line de vídeos, transformou-se rapidamente num “produto” apetecível pelo Google que o adquiriu recentemente. Passou de ferramenta a produto e a modelo de negócio imitável. Existe uma relação intrínseca entre o canal web, o produto que promove e a forma como o mesmo é comercializado que não pode ser dissociável.

P: Na vossa opinião, que drivers conduzirão o mercado de aplicações de gestão de
conteúdos Web durante este ano?

R: Acredito que o conceito web 2.0 e uma série de ferramentas e modelos associados de produção e distribuição de conteúdos (R.S.S, Folksonomy, Podcasts, Weblogs entre outros aspectos muito próprios web 2.0) trará contribuições positivas aos C.M.S., de forma directa ou indirecta. Uma característica fundamental para as aplicações em causa é o conceito “user friendly” e a usabilidade necessária associada. Este conceito é de tal forma importante e tantas vezes negligenciado que se torna fundamental que seja um dos principais “drivers” deste tipo de aplicações, já muitas vezes assumido mas ainda poucas vezes implementado de forma sistematizada ao serviço da simplicidade para o utilizador final.
Outro dos aspectos fundamentais que está a marcar a web 2.0 e as novas tendências de produção de
informação é o “user empowerment” e a capacidade que cada pessoa tem de criar o seu próprio mundo
informativo. Enquadrado numa lógica colaborativa empresarial poderá ser um trunfo altamente eficaz.

P: De que forma as tecnologias “open source” estão a impor-se neste segmento de
mercado e que vantagens oferecem sobre as tradicionais?

As tecnologias “open source” permitem que se aja sobre elas, que se modifique o código e que se personalize a sua utilização. No entanto, nem sempre são fáceis de instalar, personalizar e usar na perspectiva do utilizador que pretende simplicidade e eficácia. As soluções desenhadas profissionalmente fornecem não apenas o know-how técnico do desenho, do código e da integração das ferramentas com o site final, como também oferecem apoio e consultoria por quem as fornece. Essa será a grande vantagem comparativamente às soluções C.M.S Open Source.

P: Na vossa opinião, que componentes devem integrar uma solução de gestão de conteúdos Web?

R: Os componentes que devem integrar uma solução de gestão de conteúdos web são muito variáveis em função do objectivo do site e modelo empresarial. Poderemos no entanto arriscar uma configuração mínima ideal que deverá conter os seguintes componentes:

RTE (formatação de texto, inserção de links e gestão simples de tags de html)
Gestor de imagens ( inserção e formatação de imagens)
Gestor de documentos (disponibilização de documentos multi-formato por categorias)
Gestão de menus e páginas ( fácil criação de menus, sub-menus, páginas e sub-páginas )
Gestor de formulários (criação simples de categorias, formulários com gestão de remetentes, mensagens de sucesso, etc…).

nota: serão bem complementados com uma ferramenta de análise estatística do site ou com um cruzamento/integração com ferramentas externas como o Google Analytics.

P: Quanto pode custar e que factores podem influenciar o preço?

R: O preço de uma solução de Gestão de conteúdos web varia em função do tipo de site, do grau de personalização e dos componentes instalados. Um site com catálogo e “e-commerce” altamente personalizado, integrado com sistemas de facturação e gestão de stocks, pode custar facilmente dezenas de milhares de euros. Por outro lado, podemos verificar no mercado soluções que rondam os 1000 euros. O preço final é fruto de todas as variáveis do projecto em causa.

P: Que soluções e serviços disponibilizam nesta área e quais as suas características?
A Goweb disponibiliza uma plataforma de gestão de conteúdos altamente customizável, modular e com um grau de simplicidade bastante evidente, o que se torna uma característica fundamental para a empresa/utilizador final que compra a solução. A diversidade dos componentes que se agregam e integram na nossa plataforma cobrem uma grande parte das necessidades iniciais do nosso “target” empresarial. Quanto se torna necessário desenhar e implementar uma solução mais específica, estuda-se a forma mais eficaz de desenvolver e integrar, obedecendo aos princípios de usabilidade e simplicidade de gestão.

António Castro
Gestão de Comunicação e Projectos Web
Semana Informática, Abril 2007
Tema: “Gestão de Conteúdos Web nas empresas”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: